domingo, 1 de fevereiro de 2015

Medicalização da Vida... (depression - депрессия - डिप्रेशन)

Sabemos que os medicamentos determinam um momento exato em nossas vidas. Certamente, com um prazo de validade bem curto. É como se fosse uma bengala. Devem ser utilizados apenas na crise. Acontece que a banalização das emoções humanas está gerando uma teoria da Vida Medicamentosa.

Recentemente um amigo farmacêutico, Dr. Daniel Tarcísio, e eu conversávamos sobre esse tema. Coincidentemente, ele enviou-me um texto na mesma semana da conversa. Achei o texto do jornal EL PAIS, tão importante que resolvi compartilhá-lo com meus leitores. Aqui está ele, na íntegra. Espero que seja muito útil, pelo menos para uma reflexão.

" Allen Frances (Nova York, 1942) dirigiu durante anos o Manual Diagnóstico e Estatístico (DSM), documento que define e descreve as diferentes doenças mentais. Esse manual, considerado a bíblia dos psiquiatras, é revisado periodicamente para ser adaptado aos avanços do conhecimento científico. Frances dirigiu a equipe que redigiu o DSM IV, ao qual se seguiu uma quinta revisão que ampliou enormemente o número de transtornos patológicos. Em seu livro Saving Normal (inédito no Brasil), ele faz uma autocrítica e questiona o fato de a principal referência acadêmica da psiquiatria contribuir para a crescente medicalização da vida.

Pergunta. No livro, o senhor faz um mea culpa, mas é ainda mais duro com o trabalho de seus colegas do DSM V. Por quê?

Resposta. Fomos muito conservadores e só introduzimos [no DSM IV] dois dos 94 novos transtornos mentais sugeridos. Ao acabar, nos felicitamos, convencidos de que tínhamos feito um bom trabalho. Mas o DSM IV acabou sendo um dique frágil demais para frear o impulso agressivo e diabolicamente ardiloso das empresas farmacêuticas no sentido de introduzir novas entidades patológicas. Não soubemos nos antecipar ao poder dos laboratórios de fazer médicos, pais e pacientes acreditarem que o transtorno psiquiátrico é algo muito comum e de fácil solução. O resultado foi uma inflação diagnóstica que causa muito dano, especialmente na psiquiatria infantil. Agora, a ampliação de síndromes e patologias no DSM V vai transformar a atual inflação diagnóstica em hiperinflação.

P. Seremos todos considerados doentes mentais?

R. Algo assim. Há seis anos, encontrei amigos e colegas que tinham participado da última revisão e os vi tão entusiasmados que não pude senão recorrer à ironia: vocês ampliaram tanto a lista de patologias, eu disse a eles, que eu mesmo me reconheço em muitos desses transtornos. Com frequência me esqueço das coisas, de modo que certamente tenho uma demência em estágio preliminar; de vez em quando como muito, então provavelmente tenho a síndrome do comedor compulsivo; e, como quando minha mulher morreu a tristeza durou mais de uma semana e ainda me dói, devo ter caído em uma depressão. É absurdo. Criamos um sistema de diagnóstico que transforma problemas cotidianos e normais da vida em transtornos mentais.

P. Com a colaboração da indústria farmacêutica...
Os laboratórios estão enganando o público, fazendo acreditar que os problemas se resolvem com comprimidos.

R. É óbvio. Graças àqueles que lhes permitiram fazer publicidade de seus produtos, os laboratórios estão enganando o público, fazendo acreditar que os problemas se resolvem com comprimidos. Mas não é assim. Os fármacos são necessários e muito úteis em transtornos mentais severos e persistentes, que provocam uma grande incapacidade. Mas não ajudam nos problemas cotidianos, pelo contrário: o excesso de medicação causa mais danos que benefícios. Não existe tratamento mágico contra o mal-estar.

P. O que propõe para frear essa tendência?

R. Controlar melhor a indústria e educar de novo os médicos e a sociedade, que aceita de forma muito acrítica as facilidades oferecidas para se medicar, o que está provocando além do mais a aparição de um perigosíssimo mercado clandestino de fármacos psiquiátricos. Em meu país, 30% dos estudantes universitários e 10% dos do ensino médio compram fármacos no mercado ilegal. Há um tipo de narcótico que cria muita dependência e pode dar lugar a casos de overdose e morte. Atualmente, já há mais mortes por abuso de medicamentos do que por consumo de drogas.

P. Em 2009, um estudo realizado na Holanda concluiu que 34% das crianças entre 5 e 15 anos eram tratadas por hiperatividade e déficit de atenção. É crível que uma em cada três crianças seja hiperativa?

R. Claro que não. A incidência real está em torno de 2% a 3% da população infantil e, entretanto, 11% das crianças nos EUA estão diagnosticadas como tal e, no caso dos adolescentes homens, 20%, sendo que metade é tratada com fármacos. Outro dado surpreendente: entre as crianças em tratamento, mais de 10.000 têm menos de três anos! Isso é algo selvagem, desumano. Os melhores especialistas, aqueles que honestamente ajudaram a definir a patologia, estão horrorizados. Perdeu-se o controle.

P. E há tanta síndrome de Asperger como indicam as estatísticas sobre tratamentos psiquiátricos?

R. Esse foi um dos dois novos transtornos que incorporamos no DSM IV, e em pouco tempo o diagnóstico de autismo se triplicou. O mesmo ocorreu com a hiperatividade. Calculamos que, com os novos critérios, os diagnósticos aumentariam em 15%, mas houve uma mudança brusca a partir de 1997, quando os laboratórios lançaram no mercado fármacos novos e muito caros, e além disso puderam fazer publicidade. O diagnóstico se multiplicou por 40.

P. A influência dos laboratórios é evidente, mas um psiquiatra dificilmente prescreverá psicoestimulantes a uma criança sem pais angustiados que corram para o seu consultório, porque a professora disse que a criança não progride adequadamente, e eles temem que ela perca oportunidades de competir na vida. Até que ponto esses fatores culturais influenciam?
Os melhores especialistas, aqueles que honestamente ajudaram a definir a patologia, estão horrorizados. Perdeu-se o controle.

R. Sobre isto tenho três coisas a dizer. Primeiro, não há evidência em longo prazo de que a medicação contribua para melhorar os resultados escolares. Em curto prazo, pode acalmar a criança, inclusive ajudá-la a se concentrar melhor em suas tarefas. Mas em longo prazo esses benefícios não foram demonstrados. Segundo: estamos fazendo um experimento em grande escala com essas crianças, porque não sabemos que efeitos adversos esses fármacos podem ter com o passar do tempo. Assim como não nos ocorre receitar testosterona a uma criança para que renda mais no futebol, tampouco faz sentido tentar melhorar o rendimento escolar com fármacos. Terceiro: temos de aceitar que há diferenças entre as crianças e que nem todas cabem em um molde de normalidade que tornamos cada vez mais estreito. É muito importante que os pais protejam seus filhos, mas do excesso de medicação.

P. Na medicalização da vida, não influi também a cultura hedonista que busca o bem-estar a qualquer preço?

R. Os seres humanos são criaturas muito maleáveis. Sobrevivemos há milhões de anos graças a essa capacidade de confrontar a adversidade e nos sobrepor a ela. Agora mesmo, no Iraque ou na Síria, a vida pode ser um inferno. E entretanto as pessoas lutam para sobreviver. Se vivermos imersos em uma cultura que lança mão dos comprimidos diante de qualquer problema, vai se reduzir a nossa capacidade de confrontar o estresse e também a segurança em nós mesmos. Se esse comportamento se generalizar, a sociedade inteira se debilitará frente à adversidade. Além disso, quando tratamos um processo banal como se fosse uma enfermidade, diminuímos a dignidade de quem verdadeiramente a sofre.

P. E ser rotulado como alguém que sofre um transtorno mental não tem consequências também?

R. Muitas, e de fato a cada semana recebo emails de pais cujos filhos foram diagnosticados com um transtorno mental e estão desesperados por causa do preconceito que esse rótulo acarreta. É muito fácil fazer um diagnóstico errôneo, mas muito difícil reverter os danos que isso causa. Tanto no social como pelos efeitos adversos que o tratamento pode ter. Felizmente, está crescendo uma corrente crítica em relação a essas práticas. O próximo passo é conscientizar as pessoas de que remédio demais faz mal para a saúde.

P. Não vai ser fácil…

R. Certo, mas a mudança cultural é possível. Temos um exemplo magnífico: há 25 anos, nos EUA, 65% da população fumava. Agora, são menos de 20%. É um dos maiores avanços em saúde da história recente, e foi conseguido por uma mudança cultural. As fábricas de cigarro gastavam enormes somas de dinheiro para desinformar. O mesmo que ocorre agora com certos medicamentos psiquiátricos. Custou muito deslanchar as evidências científicas sobre o tabaco, mas, quando se conseguiu, a mudança foi muito rápida.

P. Nos últimos anos as autoridades sanitárias tomaram medidas para reduzir a pressão dos laboratórios sobre os médicos. Mas agora se deram conta de que podem influenciar o médico gerando demandas nos pacientes.

R. Há estudos que demonstram que, quando um paciente pede um medicamento, há 20 vezes mais possibilidades de ele ser prescrito do que se a decisão coubesse apenas ao médico. Na Austrália, alguns laboratórios exigiam pessoas de muito boa aparência para o cargo de visitador médico, porque haviam comprovado que gente bonita entrava com mais facilidade nos consultórios. A esse ponto chegamos. Agora temos de trabalhar para obter uma mudança de atitude nas pessoas.

P. Em que sentido?

R. Que em vez de ir ao médico em busca da pílula mágica para algo tenhamos uma atitude mais precavida. Que o normal seja que o paciente interrogue o médico cada vez que este receita algo. Perguntar por que prescreve, que benefícios traz, que efeitos adversos causará, se há outras alternativas. Se o paciente mostrar uma atitude resistente, é mais provável que os fármacos receitados a ele sejam justificados.

P. E também será preciso mudar hábitos.

R. Sim, e deixe-me lhe dizer um problema que observei. É preciso mudar os hábitos de sono! Vocês sofrem com uma grave falta de sono, e isso provoca ansiedade e irritabilidade. Jantar às 22h e ir dormir à meia-noite ou à 1h fazia sentido quando vocês faziam a sesta. O cérebro elimina toxinas à noite. Quem dorme pouco tem problemas, tanto físicos como psíquicos. "

El País

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Agradecimento!

Agradeço à diretoria da AFGW LOGÍSTICA INTERNACIONAL pelo carinhoso acolhimento e cordial companhia na passagem do novo ano, com votos de sucesso e prosperidade para todos. Obrigado! 

Tempo Novo? ...(chronology - chronologie - croineolaíocht)


O incansável e paciente Tempo não pára, nem se permite sair da sua trilha original. Ele não vacila nas suas viradas, sequer soluça, também não se apresenta nas diminutas formas interruptas. Senhor dos destinos e das soluções segue no seu ritmo motivado por sua ilibada cadência.

Porém, o Homem precisou reparti-lo para que pudesse suportar a cronologia da vida. Seria insuportável atravessar a vida sem pausas predeterminadas. Parece-me que precisamos de marcações para delinear nossos momentos.

Aguardamos que o novo ano nos traga todos os lenitivos para os nossos anseios. Mas, na prática cronológica, não existe novo ano. Existe uma predeterminação humana e que varia conforme a cultura. O ano novo não é novo ano para todos na mesma data.

Creio que, mais uma vez, nós precisaremos provocar mudanças internas para conseguirmos realizar nossos objetivos. Só a chegada de um novo ano, um novo signo ou um novo protetor não será suficiente para atenderem as nossas demandas internas.

Sendo assim, desejo aos amigos leitores e leitores amigos muita determinação, força, coragem e valentia para atravessarem mais uma marca que criamos. Aproveito para agradecer pela fiel companhia dos que me acompanharam até agora.

Paz, Saúde e Harmonia!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Aprendendo com Sheakespeare... (mature - reifen - maturajn)


Final de ano é um período onde muitas reflexões são realizadas. Acho esse texto de SHEAKESPEARE muito envolvente propício para uma boa reflexão sobre o amadurecimento e o tempo.

“Depois de algum tempo você percebe a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.

Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo, você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não te ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.”

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Irritabilidade... (irritability - irritabilité - irritabilidad)


Explosões de mau humor, impaciência e intolerância são algumas das manifestações mais comuns em nossa era. Tornou-se óbvio que representações nocivas do humor sejam apresentadas e distribuídas no decorrer do dia e dos relacionamentos, como algo padrão, normal. Quase não nos assustamos mais com o comportamento irritadiço nas relações interpessoais, quer sejam no ambiente doméstico ou profissional. Nas áreas coletivas e comuns, nem se fala.

É verdade que a superação das metas pessoais ainda é difícil para alguns indivíduos. Em determinadas vezes percebemos que a meta estabelecida é maior que a capacidade mental de superação da mesma.

Para ajudar-me na exemplificação quero mencionar metas comerciais. Quando uma empresa estabelece metas a serem cumpridas maiores que seu departamento suporta, essa empresa torna-se seu próprio algoz. Nesse momento inicia-se um grande movimento interno para culpar equipes, qualidade de produtos, concorrentes ou algum indivíduo em particular. Assim como na vida, a empresa, na pessoa do seu proprietário, vem a ser o único responsável por todo o fracasso, haja vista que foi ele quem selecionou, treinou e administrou suas equipes... Ah, foi ele também quem estabeleceu as metas... Não há quem culpar verdadeiramente, senão a nós mesmos, pois somos os únicos proprietários das nossas vidas.

Nas questões individuais, percebo que as pessoas estão estabelecendo metas muito superiores as suas capacidades física, mental e psíquica. Sendo levados pela “grande onda”, as pessoas vão determinando necessidades que nunca foram ou nunca seriam consideradas necessidades caso elas refletissem sobre suas próprias vidas.

Quando alguns indivíduos se deparam com os sintomas das suas limitações eles reagem de maneira agressiva, disforme. Para todos que não refletem só resta iniciar a caça ao culpado, pois alguém terá que ser o culpado da meta não abatida, menos ele mesmo. Essa percepção pode ser chamada de irritabilidade.

A irritabilidade tem muitas causas como o desequilíbrio de algumas substâncias do cérebro, dieta rica em proteína animal, má função energética do fígado, prisão de ventre, má sonorização, iluminação ineficiente ou inadequada, dentre outros vários fatores que serão identificados e corrigidos com ajuda de um profissional da saúde.

Todavia, existe um fator muito comum que vem sendo esquecido, talvez por ser muito comum e as coisas comuns não têm valor para a turma que acompanha a “grande onda”. Refiro-me a falta de conhecimento da lei de causa-efeito. O não conhecimento dessa lei ou a rebelde e infantil atitude de ignorá-la só irá nós levar ao sofrimento mental.

Viver permitindo que o “outro” determine o que lhe falta e o que lhe convém é o melhor caminho para as frustrações e fracassos. Vivendo dessa maneira criamos uma imagem irreal do que somos e do nosso mundo e quando nos deparamos com a realidade ficamos irritados, no mínimo.

As filosofias orientais dizem que ninguém tem capacidade para nos ofender, nos irritar ou nos magoar. Nós é que nos sentimos ofendidos, irritados ou magoados, e isso sempre acontece quando não refletimos antes de determinar nossas metas ou quando as determinamos em patamares distantes da nossa real capacidade.

Podemos também achar que tudo isso é sofisma, porém deveremos preparar o bolso para uma farta quantidade de medicamentos. Afinal, tomar uma pílula é mais fácil que tomar uma decisão.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Vale lembrar... (Headache - Hoofdpijn - Huvudvärk)


Existem alguns fatores que interferem diretamente no equilíbrio e organização interna do nosso corpo. O calor, o Frio, a Umidade, o Vento e a Secura são alguns desses agressores que atacam nosso corpo, esgotando nossa energia de defesa (WEI QI). Esses fatores são de origem interna e/ou externa, e na medicina tradicional chinesa (MTC) esses fatores são tratados como QI XIE (energia perversa).

Esses fatores, em contato com o indivíduo, podem provocar dois tipos básicos de síndromes, sendo elas; XU (vazio) ou SHI (plenitude). Elas ainda se subdividem em YIN (princípio estático) ou YANG (princípio dinâmico), formando pares definidos do tipo Síndrome XU YIN ou XU YANG, Síndrome SHI YIN ou SHI YANG, além disso, elas podem se apresentar como verdadeiras ou falsas, simples ou combinadas.

Não é difícil imaginar que um indivíduo exposto ao Calor intenso sofrerá por um determinado tipo de desgaste orgânico e energético. Com a Secura podemos entender os mesmos danos. Se a exposição for ao Calor e à Secura teremos a combinação de Calor-Secura, que é exatamente o que estamos passando nesse momento em nossa cidade. Na exposição aos demais QI XIE essa verdade se manifesta da mesma maneira, chegando até a complexidade de síndromes triplas.

A MTC tem suas formas variadas para o diagnóstico energético que vão desde um interrogatório detalhado à leitura corporal, da análise do(s) pulso(s) ao estudo da semiologia da língua, da auscultação à diferenciação de cores e odores corpóreos, dentre outras técnicas mais específicas para síndromes especiais.

Com essas técnicas diagnósticas o profissional da MTC poderá definir quais as técnicas de tratamento serão mais eficazes para o caso em questão, iniciando aí a maestria da relação “Curador x Curado”. Sejam a acupuntura, moxabustão, ventosa, fitoterapia, digitopressura, quiropraxia, qi qong, tai chi, etc, nas suas formas mais simples ou combinadas. Escolhendo no seu arsenal de técnicas, o profissional provocará os estímulos necessários para o equilíbrio interno desse indivíduo para com o seu meio externo, a fim de regular suas funções físicas, energéticas e psíquicas. Bom saber que essas técnicas se aplicam à veterinária e botânica, duas outras especializações da MTC.

O diagnóstico preciso e a escolha correta das técnicas são, obviamente, fundamentais para o sucesso do tratamento, mas não podemos ignorar, de forma alguma, a interrupção das fontes de QI XIE. Se o indivíduo que está se submetendo ao tratamento não exterminar completamente as agressões a que vinha se expondo, esse tratamento será exaustivo e pouco eficaz, tomando apenas a aparência de um placebo, já que a causa do mal permanece. De que adiantará submeter-se a um tratamento onde as causas das mazelas não foram superadas. Por isso o aconselhamento terapêutico deve ser seguido e respeitado, pois será difícil aplicar o bem onde o mal impera. Vale lembrar.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Que sobreviva a criança... (renewal - renovación - renouvellement)

video

Encontrei um vídeo que usei na década de 90 para acompanhamento motivacional em alguns treinamentos. Gostaria de reintroduzí-lo nos conceito atuais. 3 minutos de boas lembranças. 

Retomando...

Devido ao tempo curto para executar várias mudanças que se fizeram necessárias, peço desculpas aos leitores do Blog pelo lapso e retorno objetivando provocar mais mudanças. Obrigado!

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

É bom lembrar...(memory - mémoire paměť)

Comumente encontramos pessoas reclamando da memória. Na correria dos dias atuais imaginamos que a memória fica desprestigiada e paralisada pelos muitos afazeres que nos submetemos. Felizmente, nossa memória é um dos “bens” mais protegidos que temos. Ela fica bem guardada e é acessada sempre que se faz necessário. Muito raramente vamos encontrar pessoas com verdadeiros problemas de memória.

O que encontramos com maior facilidade é a “falta de concentração”. Esse é o mal do nosso tempo. Estamos desaprendendo a registrar informações por estarmos aprendendo a não focar nossa vida e nossos propósitos. Fazendo muitas coisas ao mesmo tempo e não permanecendo com a mente e o corpo no mesmo local e situação, as informações não são registradas e quando tentamos acessá-las, elas não estão ao nosso alcance. Especialmente com a nova doença manifestada na utilização dos aparelhos manuais de comunicação, dificilmente alguém olha para seu interlocutor enquanto o ouve, pois está respondendo a algum chamado das “redes sociais”.

Algumas dicas práticas são importantes para iniciar um reaprendizado no processo de concentração. Passarei algumas e começo agora com a “Prontidão para ouvir”.

Prontidão para ouvir

“A natureza deu-nos dois ouvidos, dois olhos e uma língua, observa Zenão, velho filósofo grego, para que pudéssemos ouvir e ver mais do que falar”. E um filósofo chinês fez a seguinte colocação: “O bom ouvinte colhe, enquanto aquele que fala semeia”. Seja como for, até a bem pouco tempo dava-se pouca atenção à capacidade de ouvir. A ênfase exagerada dirigida à habilidade de expressão levou a maioria das pessoas a subestimar a importância da capacidade de ouvir, em suas atividades diárias de comunicação.
         Um renomado psicólogo disse que deveríamos olhar para cada pessoa como se a mesma tivesse um cartaz pendurado em redor do pescoço onde se lê: “Quero sentir-me importante”. Ninguém gosta de ser tratado como menos importante. E todos querem ainda que esta importância seja reconhecida, a própria experiência nos ensina que as pessoas, ao serem tratadas como tais sentem-se felizes e procuram realizar e produzir mais. E quem se observa escutado sente-se gratificado.
         Durante cinco anos, o departamento de instrução para adultos das escolas públicas de Minneapolis, ofereceu diversos cursos com o objetivo de melhorar a maneira de falar e um para melhorar a maneira de escutar, de ser um bom ouvinte. Os primeiros estavam sempre cheios, tal era a procura. O segundo não chegou a funcionar por falta de candidatos. Todos desejavam aprender a falar, mas ninguém queria aprender a ouvir.
         O ouvir é algo muito mais complicado do que o processo físico da audição ou de escutar. A audição se dá através do ouvido, enquanto que o ouvir implica num processo intelectual e emocional que integra dados físicos, emocionais e intelectuais na busca de significados e de compreensão. O ouvir eficaz ocorre quando o receptor é capaz de discernir e compreender o significado da mensagem do emissor. O objetivo da comunicação só assim é atingido.
          Levantamento recente indica que, em média, a pessoa emprega 9% do tempo, escrevendo; 16% do tempo, lendo; 30% do tempo, falando e 45% do tempo, escutando. Ouve-se 4 ou 5 vezes mais depressa do que se fala, as pessoas falam provavelmente à razão de 90 a 120 palavras por minuto e ouvem à razão de 450 a 600 palavras por minuto. Quer dizer, há um tempo diferencial entre a velocidade do pensamento para poder pensar, refletir sobre o conteúdo e buscar o seu significado.

         Autores há que oferecem diversos princípios para aprimorar as habilidades essenciais para saber ouvir:

1.     Procure ter um objetivo ao ouvir.
2.     Suspenda qualquer julgamento inicial.
3.     Procure focalizar o interlocutor, resistindo a toda espécie de distrações.
4.     Procure repetir aquilo que o interlocutor está dizendo.
5.     Espere antes de responder.
6.     Procure recolocar com palavras próprias o conteúdo e o sentimento do interlocutor.
7.     Procure atingir os pontos centrais do que houve através das palavras.
8.     Use o tempo diferencial para pensar e responder.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Brainless... (anxiety - mania - labdarúgás)

A excessiva quantidade de informações advinda dos chamados tempos modernos tem alvejado os indivíduos de tal forma, que não lhes é permitido o tempo de reflexão. Elas – as informações – chegam com tamanha velocidade que não dá tempo para permitir a análise detalhada de vários fatores que poderiam renomeá-las para o status de desinformação.

É sabido que a prática da reflexão sempre se deu pela relação com os mais experientes, os mais velhos, mais vividos, normalmente dentro dos lares. Esse mesmo bombardeio de informações afastou o indivíduo dos contatos mais preciosos para sua formação mental e filosófica, seus mais velhos, os gurus do tempo vivido.

Por não praticarem a reflexão, a análise, os Brainless queimam seus grossos currículos ao abrirem a boca e reproduzirem conceitos destruidores da sua própria imagem, desferindo absurdos que fecharão as portas que tanto tentam atravessar. As informações captadas não são avaliadas, averiguadas e, imediatamente, repassam-nas com o intuito de serem os pioneiros da novidade. Pior, crêem que aquilo é produto da equação da verdade.

O não assistir a um telejornal, apenas um, deixa a sensação que o mundo não mais o aceitará. Ligar o computador sem correr os olhos num portal de noticias faz com que o dia flua com uma pequena taquicardia. Sair sem o seu aparelho de telefonia móvel, o celular, é um pecado, aterroriza, enlouquece, invalida o ser humano que por ali perambula.

Batizo esses alguns indivíduos, não poucos, de Brainless. Conectaram-se a tudo, mas perderam a conexão interior, quebraram a antena interna. Aquele crivo que separa a banalização do cérebro ao crescimento humano. Fica a suave sensação que o cérebro tomou a função de mero separador de orelhas.

Creio que esse é o endereço da ansiedade essencial. É exatamente aí que emerge toda a fraqueza do indivíduo, ao suspeitar que sem o celular, seus milhares de “amigos” não estão por perto, ele está fora da “rede”. (rede ou teia?!) Ele suspeita que está sozinho, como se não o estivesse por toda a vida. Vivendo desse modo não consegue compreender onde errou seus passos, invalidando a possibilidade de correção da rota.

Por não se descobrir, questionar, investigar ele acaba por não conhecer a si mesmo e se sente fraco, sem recursos. Porém, em momento algum esses recursos foram suas metas. Agindo assim não é possível entender a causalidade da vida, eternizando os fenômenos vividos simplesmente pela casualidade. Viver sob as regras da casualidade deve ser, realmente, apavorador. “A vida é causal e não casual”, vale o autor.

Pensando não ter como atuar sobre a própria vida, já que seu tempo é casual, surge a intempestiva sensação de impotência, matéria prima fundamental para a ansiedade. Até que se perceba que a as regras de sobrevivência são causais, inversamente ao que se pensava antes, intolerado e intolerante precisará de drogas que o alienem, sejam elas lícitas ou ilícitas. Não faltará quem as forneçam.

Paira a sensação que o tempo corre na mesma velocidade das informações e inicia-se um período de correrias, nada mais dá tempo. Surgem agora as manias, superstições, crenças, tiques, TOC’s... é se viciar no vício alienador, pois ele é a babá dos que não souberam se criar.

Claro que, as causas dessa ansiedade não são as informações, nem somente elas, mas a casual maneira de sobrevivência contemporânea. O grande período de convívio alucinante e tresloucado com as “telinhas” roubou a possibilidade do namoro com outra tela, mais antiga, porém ainda válida e necessária, o “espelho”.